SEÇÃO I – HÚBRIS

Nome atribuído a desordem de personalidade que afeta algumas pessoas com longa trajetória de poder

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Foto EM – Acervo pessoal

A síndrome, que podemos traduzir por soberba, apresenta diversos sintomas, entre eles, a procura por glória pessoal, preocupação extrema com a imagem, tendências messiânicas, autoconfiança excessiva, perda de contato com a realidade, etc. Evidências científicas sugerem que, quando exercido durantes longos períodos, e sem o freio de contrapesos, o poder provoca alterações cerebrais que levam a perdas de discernimento e de realidade. David Owen, médico inglês, tem-se dedicado ao estudo do tema e lançou, recentemente um livro chamado “Na doença e No poder” obra reveladora de como doenças têm afetado o discernimento de inúmeros líderes políticos.

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Tais lideranças, ao que parece, ignoraram a lição do mito de Ícaro que, deslumbrado com a sua capacidade de voar, ignorou os avisos de Dédalo para que não se aproximasse, demasiadamente, do sol. Este exemplo levou à criação da Daedalus Trust:

http://www.daedalustrust.com/about-hubris/

Instituição que tem como meta suscitar a conscientização para os perigos da húbris na vida pública e na vida empresarial. O mundo será, certamente, melhor se todos se conscientizarem desse perigo e evitarem esse transtorno. O deslumbramento com o poder e a incapacidade de escutar os avisos de Dédalo não escolhem setores. A húbris desenvolve-se porque o poder, se não for exercido com humildade e com consciência dos limites próprios, muda quem o exerce – sobretudo quem o exerce por longos períodos de tempo. Inúmeros estudos demonstram isso.

E como prevenir a Húbris?

Abandonar o cargo de poder, no devido tempo, é a primeira recomendação.

A capacidade de se rodear de pessoas que lhe transmitam a verdade é, também, recomendável.

Por saber disso, diziam que, na Roma antiga, os generais celebravam as vitórias numa parada, entre o povo, fazendo-se seguir de um escravo, cuja única incumbência era soprar-lhe ao ouvido:

Memento mori – lembra-te de que és mortal.

Sábia medida para evitar deslumbramentos!

(Fonte: Expresso, Texto Armenio Rego e Miguel Pina e Cunha, Católica Porto Business School)

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